O dia em que eu fodi a minha perna direita

Não sei porque não escrevi sobre isso ainda. Todo mundo me pergunta como eu quebrei a perna, a reação das pessoas ao descobrirem é sempre essa:

Ai que dor!


A sensação de se quebrar um osso não é das melhores, mas também não é tão horrível quanto as pessoas pensam. No começo você sente pouca coisa, um formigamento forte e uma dor de leve. Depois de uns minutos sim, você sente muita dor. Uma dor tão intensa que você sente seu estômago contrair e ficar sem ar. É brutal o negócio.

Já quebrei diversos ossos, mas a perna foi o mais desesperante. Deixa eu contar pra vocês…

Eu devia ter 9 ou 10 anos de idade, meu irmão por sua vez devia ter uns 13 ou 14, já que ele é quatro anos mais velho do que eu. Estávamos indo jogar futebol em um campinho que tinha perto de onde morávamos. Tudo tranquilo, a não ser pelo fato de que ele estava me carregando na bicicleta.
Sabe aquele jeito que pobre carrega as pessoas na bicicleta? Naquela posição indigna sentado de lado no ferro (ui) da bicicleta. Nessa posição, as duas pernas da pessoa ficam completamente vulneráveis para um dos lados da bicicleta. Para o meu azar, as minhas estavam para o lado direito, deixando a perna direita completamente a vontade ao lado da roda dianteira da bicicleta.

Tudo tranquilo até então, eu tinha que manter as pernas levemente levantadas para que nada desse errado, certo? Eu o fiz, até certo ponto. Chegou um momento em que meu irmão foi fazer uma curva e eu baixei a perna direita.

Quando percebi, já estava no chão com a perna dentro dos raios da roda da bicicleta. Estava tranquilo, sereno, pensando que não tivesse sido nada, afinal eu era discípulo de Goku e nada me mataria. Até eu olhar para o que restou da minha perna.

A reação foi instantânea ao olhar para o estado lastimável da minha perninha querida, abri o berreiro. Nunca chorei tanto na vida. E o pior é que nem estava doendo, tava só formigando muito, mas muito.

Vocês não tem noção do quanto eu gritava. Eu praticamente URRAVA exclamando: MINHA PERNA AIAIAI!

Meu irmão entrou em estado de choque, não sabia se tirava minha perna dali, se chamava ajuda, se me dava um beijo ou se corria pras colinas. Por alguma intervenção divina, um sujeito parou o carro e ofereceu ajuda. Tirou um alicate do porta-malas e cortou quase todos os raios da roda da bicicleta para tirar a minha perna.
Depois tentou me colocar no carro para levar pro HPS.

FOI AÍ QUE EU SENTI A DOR!

MALUCO, eu não sabia o que fazia da vida. Por pouco não mijei no meu calçãozinho do cavaleiros do zodíaco. Coloquei a gola da camiseta na boca e mordi com tanta força, que a camiseta foi inutilizada depois.

Fui levado até o HPS, aos prantos. Quase matei todo mundo afogado dentro do carro de tanto que eu chorava. Chegando lá, me atenderam de prontidão, me colocaram na maca e já me levaram pra sala de cirurgia.
Foi ali que eu encontrei a melhor coisa que uma pessoa pode ter quando está sentindo dor: Anestesia. A sensação de alívio quando começaram a injetar aquilo na minha perna foi a melhor coisa do mundo. A melhor. Acho que nem transar com a mulher mais bonita/gostosa do mundo deve ser tão bom.

Pensei comigo mesmo: Até que enfim, agora eles vão colocar o gesso e me mandar para a casa.

Ledo engano, caro amigo. Eles ainda tinha que colocar a minha perna no lugar.

Sabe quando você sente que a sua pupila contrai involuntariamente? Foi o que eu senti quando disseram: Vamo colocar a perna do guri no lugar e colocar o gesso.

Meu coração acelerou e eu fiquei sem ar, mas relaxei um pouco, pois na minha cabeça, eu estava anestesiado.

Mais uma vez a lei de murphy me enrabava bonito e o médico chegou perto de mim e falou: Vamos dar um jeito nisso campeão, aguenta firme aí. É um, é dois e … CLACK! Um, dois e CLACK! Só mais pouquinho, é um é dois e CLACK!

Ele puxou minha perna três vezes pra colocar no lugar. Três. Eu berrava que nem porquinho recém nascido. Minha vontade era de mandar ele tomar no CU dele, da mãe dele, dos filhos dele e dos netos dele. FILHO DA PUTA!

Depois ainda tive que tirar uma “chapa” da perna pra averiguar a situação dos meus ossinhos e descobrir que eu havia quebrado meu membro inferior direito em três partes.

AWESOME!

Foram dois meses e meio de molho em casa desfiando o gesso. Sentindo muita dor também, mas o paracetamol sempre esteve comigo.

Riam de mim, desgraçados.

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Publicado por

Rafael Ramos

Escrevo umas paradas na internet.

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