Eu já apanhei de uma menina D:

Tenho até vergonha de admitir isso, mas tomei mó surra de uma menina uma vez, de verdade.
Prepare seu cafezinho aí que eu conto essa história pra vocês.

Não lembro que mês era, mas eu tava na 5° série, o ano era 2001. Eu estava morando naquele ano com a minha vó, por escolha minha mesmo. Sempre gostei da cidade dela e com minhas visitas freqüentes nos finais de semana acabei fazendo muitos amigos por lá. Por isso arrumei as malinhas e fui morar com a minha velhinha.
Tudo certinho, fui matriculado em uma escola que havia inaugurado no mesmo ano, tudo novinho e bonitinho, professoras que eram muito gostosas atenciosas com os alunos e tudo mais.
Só que havia um grande problema, aliás, um problemão. A escola era estadual. Não, não era esse o problema, o problema é que a prefeitura havia construído um “loteamento” perto da escola, e consequentemente as crianças desse loteamento estudariam nela.

Ainda não entendi o problema rafa, você é tão elitista assim a ponto de não gostar de pessoas menos afortunadas?
Claro que não, o problema era que “algumas” dessas crianças menos afortunadas eram grossas e de “mão leve”. Eu como nunca fui de briga, na verdade sempre fui um verdadeiro cagão, estava morrendo de medo de ter que conviver com essas crianças que com certeza colocariam meu pescoço a prêmio por causa do meu jeito esnobe.
Aaaaah ta, agora entendi rafa. Mas custava ser menos esnobe?
Eu tentei, acreditem, eu tentei.

Mas voltando ao assunto, no primeiro dia de aula estava eu todo arrumadinho, limpinho, garboso e gatão chegando à escola quando vi aquele montinho no saguão me olhando feio. Não demorou muito pra alguém me chamar de mauricinho.
Não dei bola e fui na diretoria, disse pra uma das professoras que estava nervoso por ser o primeiro dia e ela me fez companhia até a aula começar. Professora essa que com certeza foi a melhor professora que eu tive na vida. – Tem até uma história legal com ela, mas é assunto para outro post. – A aula começou e a professora fez a chamada. Um dos alunos se chamava Itamar, e eu como não me contive com meu senso piadista, soltei meio que sussurrando: FRANCO.
Pra quê? O garoto me olhou com uma cara de psicopata, eu podia ver nos olhos dele que o que ele queria mesmo era briga, e eu típico almofadinha havia dado um bom motivo para isso.
A aula foi normal até o fim, nem falei mais nada e me comportei exemplarmente. Mas na hora saída que o bicho pegou, quando eu me dirigia ao portão do colégio eu senti que tinha alguém me seguindo, meio que olhei de lado para ver quem era, mas não consegui. Continuei seguindo meu rumo até em casa, porém uma quadra antes de chegar, eu ouço: Ô Bichinha!
Advinhem quem era? O Itamar. Veio tirar satisfações pela piadinha que eu havia feito. Ele tentou achar um motivo para soltar um murro na minha cara, que com certeza quebraria meu nariz e eu desistiria de estudar para sempre. Mas isso não aconteceu, ele acabou rindo da piada e virou um dos meus melhores amigos.

Ta ô buceta, quando tu vai chegar na parte da surra que tu levou da mina?
Calma ae, to chegando.

Umas duas semanas depois, duas crentes chegaram na minha sala, transferidas de uma outra escola. Reza a lenda que elas haviam sido expulsas.
Ta, mas como você sabe que elas eram crentes?
Elas tinham cabelo extremamente comprido e usavam uma saia preta que ia até o calcanhar. Sim, elas foram todos os dias do ano com a mesma saia. Ou tinham várias iguais.
Enfim, se não me engano o nome de uma delas era Gislaine e a outra era prima dela que eu nunca lembrava o nome. Antes que você pergunte, eu não tive nada com ela.
Eu sempre desconfiei que a crente gostasse de mim, ela vivia me provocando, mandava bilhetinhos e tudo mais. Até fofoquinha ela inventava sobre a minha pessoa. – Típico comportamento de garota apaixonada que não sabe se expressar. – Eu sempre relevei, afinal todo mundo naquela escola falava de mim, eu era o xodozinho das professoras e isso desencadeava um ódio imenso no restante dos alunos. Com certeza em você também.

Agora sim eu chego na parte que eu apanhei.

A professora de inglês (aliás, outra das boas professoras que eu tive, gostava muito dela) chegou com algumas folhinhas na mão dizendo que estava atrasada com o trabalho e por isso daria uma atividade em dupla para o pessoal enquanto ela organizava as coisas. O trabalho seria tranqüilo se ela não me obrigasse a fazer a atividade com a tal crente.
Eu sorrateiramente fui até a mesa da professora e dei uma choramingada dizendo que não gostava dela e que não faria a atividade se fosse assim. A professora como me amava, resolveu ir tirar uma cópia da folhinha para eu fazer a atividade sozinho.
Quando ela saiu da sala eu voltei bem devagar para a minha mesa esboçando um leve sorriso para ela ver que eu não gostava dela.
Mas isso irritou a criatura, ela soltou um: Mas esse guri se acha demais.
Eu até tentei ficar quieto, mas soltei um: Cala boca crente!

Ela levantou da mesa e veio na minha direção. Eu claro levantei e fiquei fazendo palhaçadas pra turma rir, coloquei os braços em posição de luta e falava “vem vem”, com um ar de deboche.

O problema é que ela veio mesmo e me deu um puta tapa nas costas. Nunca senti minhas costas arderem tanto. Mas não fiquei na minha não, abri minha mão e segurei a trança dela puxando-a para o chão.
Nessa hora eu juro que vi fogo nos olhos dela, ela levantou rapidamente e me deu uns 4 chutes seguidos, acertou todos. Me senti brigando com a chun-li.
Tentei acertar uns murros nela, não tinha nada a perder mesmo, tava todo mundo do meu lado. Falhei miseravelmente, errei todos os tapas e beliscões que tentei executar na menina, e quanto mais eu errava, mas ódio ela sentia e mais forte ela me espancava. Já havia me dado por vencido, mas filha da putamente consegui acertar um soco nela. Lógico que não foi forte, na verdade ela nem sentiu, mas acabei me sentindo um pouco melhor depois disso. Mas quando eu achava que ia acabar por ali, ela vem correndo e me pega pelo casaco e me rodopia, atirando-me a uns 2 metros de distância.
Não preciso dizer que me estourei todo, já tinha levado tanto chute nas canelas que estava com caroços nas mesmas, cai de mal jeito e quase quebrei uma costela na quina de uma mesa.
Saí da sala segurando o choro e fui na diretoria dedurar ela. Claro que nada me aconteceu, mas ela foi suspensa.
Ainda fui obrigado a conviver o resto do ano letivo com ela e com a turma toda tirando sarro da minha cara porque eu havia apanhado de “uma menina”, que na verdade batia que nem moleque.

Agora podem rir da minha cara.
Antes que eu esqueça, morram.

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Publicado por

Rafael Ramos

Escrevo umas paradas na internet.

8 thoughts on “Eu já apanhei de uma menina D:”

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